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Treino de Velocidade: visão para os esportes de combate

Treino de Velocidade: visão para os esportes de combate

Introdução

         A velocidade é um dos componentes mais importantes do desempenho esportivo. No entanto, ela não deve ser vista como uma capacidade isolada. A velocidade deve ser considerada como um componente parcial das exigências complexas necessárias para o desempenho esportivo. Em combinação com um alto padrão de movimentos técnicos e de coordenação, com a especificidade do esporte, as diversas manifestações da capacidade física velocidade são de importância primordial para o sucesso em esportes individuais
ou coletivos.

        Neste contexto, a velocidade motora, entendida como uma capacidade humana que condiciona a realização dos movimentos desportivos constitui um fator do rendimento ao qual se tem vindo a atribuir grande importância. Treinadores e investigadores têm voltado as suas preocupações, não só para as formas de manifestação que a caracterizam, mas também para o modo de transformá-las em indutores de eficiência e eficácia das ações desportivas.

        A velocidade, como afirma Barbanti (1996) “depende da perfeita integração do sistema neuromuscular” estando então diretamente ligada a força, flexibilidade, agilidade e descontração, Bompa (2002), cita a velocidade como qualidade física determinante, além de aperfeiçoar o treinamento de alta intensidade. São expostas no estudo, a qualidade física velocidade e suas diferentes maneiras de manifestações atentando para as mais utilizadas por desportistas praticantes de esportes de combate (lutas).

 2. A velocidade nos desportos de combate

         O contributo relativo da velocidade para o rendimento varia de acordo com as exigências de cada modalidade desportiva (Dick, 1989).    As Lutas constituem modalidades que se caracterizam por complexas relações de movimentos corporais, nestas modalidades, a principal característica é o objetivo dos atletas: o corpo do adversário, atingir, imobilizar, ferir, pontuar ou nocautear o oponente. Assim como o conhecimento que estes possuem das regras, de si próprios e do adversário (Tavares, 1994).

         Dado que, neste contexto, a dimensão estratégico-tática assume um papel determinante, o conceito de velocidade transcende claramente a concepção clássica que a define como a capacidade de executar ações motoras no mais breve tempo possível.

         Estamos, portanto, perante um problema de adequação da expressão da velocidade às tarefas a realizar. Nas lutas, o que ocorre constantemente durante os combates é uma síntese entre velocidade e eficácia na tarefa, o que implica perceber a importância que assume a unidade entre o sistema perceptivo e a velocidade de realização.

         Os atletas necessitam, portanto, se adequar a realização das tarefas para obter o sucesso e para adequação é necessário um processo longo de ensino-aprendizagem e de treinamento específico.

 A seleção e o processamento das informações de um atleta de alto nível invocam experiências passadas para prever as conseqüências das ações que realiza.

         Nesse sentido, é capaz de estabelecer conexões entre elementos como a recepção do estímulo, a postura do adversário até a manifestação dos golpes e contra-golpes, os quais se revelam determinantes para a obtenção de sucesso.

2.1 Manifestações da Velocidade

         A velocidade é uma qualidade física que possui diversas manifestações, algumas inclusive são específicas e de fundamental desenvolvimento para os desportos de combate.

         Velocidade de percepção, relacionada com a habilidade para processar estímulos auditivos e visuais e tomar decisões a partir de uma variedade de escolhas dependentes de uma situação particular; demonstrada na movimentação corpórea do adversário para o início de um ataque ou combinação de ataques (Cronin & Hansen, 2005).

         Velocidade de antecipação, relacionada com a habilidade para prever as probabilidades de evolução das linhas de força de uma situação; evidenciada na movimentação defensiva, antecipando, por exemplo, em formas de esquivas o movimento adversário.     A capacidade de previsão, por exemplo, permite que um lutador, mesmo sendo mais lento do que outro, do ponto de vista neuromuscular, possa desempenhar mais depressa a um determinado movimento, porque previu e antecipou a resposta (Tavares, 1994).

         Velocidade de decisão, habilidade, após análise de uma situação, de tomar decisão; envolve aspectos como coragem, autoconfiança e as possibilidades de desenvolvimento da velocidade passam, em grande parte, pela exercitação conjugada das capacidades motoras com as habilidades técnico-táticas, nas quais aspectos como a atenção, a capacidade de discriminação dos sinais pertinentes e de decisão se revestem de uma importância fundamental Barbanti (1996).

         Velocidade de reação, relacionada com a habilidade para reagir a uma ação ou estímulo prévio; respondendo a ataques e prevenindo-os, estando intimamente associada a ações de máxima intensidade, o que diferencia o nível de velocidade dos lutadores, no que diz respeito as ações realizadas durante um combate, não está relacionada ao número de ações, mas com a intensidade com que elas são desenvolvidas, até porque em determinadas lutas, uma certa pontuação ou apenas um golpe pode terminar o combate (Bompa, 2002).

         Na luta ocorrem, circunstâncias nas quais os lutadores devem realizar ações de adaptação com elevada velocidade, assim, atribui-se às capacidades motoras à um estado de autonomia, à margem do contexto tático, tendo em vista o atleta ter que solucionar problemas não premeditados durante os combates.

         De fato, a expressão da velocidade decorre, não apenas da reação aos estímulos ou da velocidade gestual, mas também do tempo necessário à identificação, ao tratamento rápido da informação e ao reconhecimento e avaliação das situações complexas da luta.

                
2.2. Pliometria

         Nos programas de treinos tem-se procurado utilizar métodos econômicos e eficazes e de fácil aplicabilidade. O treinamento pliométrico  assume-se como um método eficaz para otimizar a força muscular (Bompa, 2002) baseado em um conjunto de exercícios que permite o músculo atingir um nível mais elevado de força explosiva fundamentado no ciclo de alongamento e encurtamento (Verkhoshansky, 1996). Esta ação provoca no músculo tendinoso um armazenamento de energia elástica que é liberada durante a contração concêntrica na forma de energia cinética transformando a força pura em força rápida (Verkhoshansky, 1996).       

         Cronin e Hansen (2005) denominam o termo pliometria como sendo um método de preparação de força com o objetivo de desenvolver a “força explosiva e a capacidade reativa do sistema neuromuscular (passagem rápida de um trabalho excêntrico ao concêntrico)”, que tem o tipo de fonte de energia anaeróbia alática (ATP – PCr).

         Segundo Moura (1998), o treinamento pliométrico desenvolve a força explosiva, principalmente dos membros inferiores. (Cossar, Blamksby & Elliot, 1999) dizem que “a repetição regular desses exercícios proporcionam um treinamento tanto neurológico quanto muscular capaz de aprimorar o desempenho de potência dos músculos específicos”. Porém, a pliometria não pode ser vista como principal forma de treinamento, devendo ser utilizada como um método coadjuvante em um programa diversificado (Cossar, Blamksby & Elliot, 1999).

          Isso vem a confirmar que os melhores não são apenas mais velozes, são, sobretudo, mais eficazes, fazendo variar a velocidade, em função das características do momento e das possibilidades de evolução do combate.

3. O treino da velocidade nos esportes de combate

         Um dos primeiros critérios que se deve levar em consideração, é que no treino da velocidade deverá ter um relação específica das ações explosivas efetuadas em espaços reduzidos, tais como ringues, dojôs, lonas, etc; segundo, o treino da velocidade de repetição, tendo em vista que a utilização efetiva dos lutadores num combate se prolonga por um período de tempo considerável, contando que os atletas (medalhistas) realizam em média de 5 a 6 lutas em um mesmo torneio, quase sempre no mesmo dia.

         Deste modo uma das preocupações ao nível do treino é predispor o lutador para repetir a realização de ações rápidas e muito rápidas, sem que a sua velocidade de realização baixe drasticamente por aparecimento da fadiga, ao longo do treino.

         À capacidade que permite este condicionamento recebe o nome de velocidade-resistência . O treino desta capacidade é muito extenuante, tanto física como mentalmente. Normalmente é usado em lutadores de elite, devendo evitar sua aplicação em atletas jovens, com idade inferior a 16 anos (Cossar, 1999).

         Através do treino da velocidade, deve-se monitorar e considerar o alcance de objetivos como, incremento da capacidade decisória, rápida resposta aos complexos estímulos que caracterizam diferentes configurações do combate, o aumento da capacidade para executar rapidamente habilidades técnicas específicas, aumento da capacidade de produção contínua de potência e energia e a capacidade de recuperação após a realização de um exercício de alta intensidade.

         O treino da velocidade no contexto dos esportes de combate deve ser organizado de forma a que haja uma sintonia entre a solicitação das valências perceptivas, decisórias e neuromusculares.

         Portanto, os benefícios do treino da velocidade, que integra os ingredientes da luta especificamente, são bem mais significativos do que o treino formal de velocidade, habitualmente associado aos sprints e gestos motores não específicos (Cossar, 1999), nesta linha de raciocínio, para que o desenvolvimento da velocidade seja eficaz, parece-nos importante atender aos seguintes preceitos:

  • Treinar com intensidade máxima,
  • Treinar com exercícios que façam parte da experiência motora do executante,
  • Treinar levando em consideração a interferência técnico-tática
  • Atender a especificidade da modalidade


4. Conclusões

         O interessante para os atletas de desportos de combate é o desenvolvimento global da capacidade física velocidade e suas manifestações, que permitam ao lutador ter ferramentas e ser eficaz em relação às situações que encontrará na luta.

         Por isso, a velocidade, assim como qualquer outra capacidade apresentada a partir da dimensão de funcionalidade energética, é uma capacidade subsidiária do rendimento, porém adquire uma importância maior quando, na perspectiva, em função do contexto do combate, sua forma de expressão se justifica.

         Assim, a organização do processo metodológico de treino deve partir, do modelo de atividade que se pretende que os lutadores desenvolvam, em resposta ao esquema de luta que se pretende preconizar, embora ainda se possa maximizar tal qualidade física, em função de situações como, sessão de treino, microciclo, mesociclo e as características pessoais dos atletas, tais como idade, anos de treino, perfil fisiológico, perfil psicológico, etc.

    Finalizando, o treino da valência física velocidade deve ter seus horizontes perspectivados de uma maneira específica e integrada. Trabalhando o condicionamento das suas manifestações, tais como, velocidade de percepção, decisão e realização, conjuntas as situações técnico-tático que irão fazer parte da configuração da modalidade.

REFERÊNCIAS

BARBANTI, Valdir José.(1996). Teoria e prática do treinamento desportivo. RJ: Edgard Blucher

BOMPA, Tudor O.(2002). Periodização-Metodologia do Treinamento. RJ: Phorte Editora

COSSAR, J. M., BLAMKSBY, B. & ELLIOT, B.C, (1999). The influence of plyometric training on the freestyle tumble turn. Journal of Science and Medicine in Sports. N.2, v.2:106-120

CRONIN, J. B, HANSEN, K. T, (2005). Strength and power predictors of sport speed. Journal of Strenght and Conditioning Research 19(2): 349-357

DICK, F. (1989): Theory and pratice of speed development. In Sports Training Principles (2nd edit.): 191-201.London.

MOURA, N. A. (1998). Treinamento pilométrico: introdução as suas bases fisiológicas e metodológicas. Revista Brasileira Ciência e Movimento 2:30-40.

TAVARES, F. (1994): O processamento da informação nos jogos desportivos. In O ensino dos jogos desportivos: 35-46. A. Graça & J. Oliveira (Eds.). Centro de Estudos dos Jogos Desportivos. FCDEF-UP.

VERKHOSHANSKY, Y.V. (1996): Speed training for high level athletes. New Studies in Athletics (IAAF), 2-3: 39-49.

 

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